É frequente ouvir queixas de músicos e estudantes, que estudando em casa, sentem-se frustrados no início do processo de Cantar e Tocar ao mesmo tempo, sem saber por onde começar.
Observando os alunos e os casos em que as pessoas quase desanimam de desenvolver isso, pude ver de que forma algumas escolhas neste estudo podem facilitar o dificultar o processo, e com isso, inclusive revi mentalmente todos os erros que também cometi no meu processo de aprendizagem ... Abaixo, seguem algumas orientações que podem ajudar a superar os desafios:
1. Menos é Mais: Escolha algo simples
Mesmo acostumado a cantar e tocar isoladamente coisas bem mais complexas, vale a pena escolher músicas que tenham poucos acordes já familiares, de groove mais uniforme e troca de acordes não tão rápida. Tocar e Cantar é uma multitarefa que o cérebro vai aprender a executar e que precisa ser desenvolvida aos poucos. Coordenar cordas vocais e dedos ao mesmo tempo exige muito mais em coordenação motora do que isoladamente. O cérebro está aprendendo a nova função multitarefa e precisa se adaptar aos poucos.
Uma música em que o canto vai acompanhando os acordes mais suavemente , tem condições de ser mais bem assimilada e funcionar no início. Mais tarde, pode-se ir acrescentando músicas mais complexas e rápidas. Se você for como eu, vai argumentar que seu estilo favorito não tem músicas simples... mas sempre tem. Mesmo em heavy Metal, bossa nova, música clássica, você sempre encontra algo.
Sempre.
Sempre.
É preferível começar usando uma música de algum artista do que uma música própria. Na música própria, o cérebro vai se ocupar em interferir nas harmonias, estruturas, letra etc, enquanto na de outro artista, pode-se concentrar somente na execução, pois a canção já está feita.
Cante somente e toque somente, antes de fazer os dois ao mesmo tempo.
Marque os locais de respirações na folha ao cantar, verifique se o tom funciona, se a colocação está estruturada..
Quando começamos já fazendo tudo, é fácil deixar desapercebidos problemas técnicos, como respiração, escolha de tom, colocação, e palhetada, ritmo etc.
Fazer as duas coisas isoladamente ajuda o cérebro a assimilar cada instrumento e não o sobrecarrega de informações.
3. Escolha uma cifra ou partitura organizada visualmente
A qualidade de organização de sua música escrita é Importantíssima para o sucesso do seu estudo pois é o que vai estruturar o mapa mental da música.
A música deve estar com a letra toda cifrada encima das palavras, pois você vai ler as letras e as cifras ao mesmo tempo. Cifras e partituras em que faltam partes, que tem ritornelos ou só a metade cifrada vão confundir a cabeça, pois em determinadas partes, a letra fica num canto e os acordes no outro, atrapalhando a fluência e a concentração. Estas cifras servem para quem vai somente tocar ou somente cantar, mas para a multitarefa melhor usar uma completa.
4. Não Esperar que a música já fique detalhada desde cedo
A primeiras práticas de tocar e cantar podem ser minimalistas; somente com os acordes palhetados ou puxados no ritmo certo no caso de violão e no caso de piano a estrutura baixo à esquerda e acorde de três notas na mão direita.
Mais tarde, quando isso já estiver fluente, pode-se acrescentar os arpejos e estruturas mais complexas de poliritmo no instrumento. Com tempo, o cérebro estará mais preparado para coordenar músicas e estruturas de maior complexidade. Focar sempre no processo antes de focar nos resultados.
5. Não esperar que fique como a gravação Original
Vale lembrar que o artista que gravou esta música provavelmente já cantava e tocava há alguns anos antes de gravar, e talvez já tenha até feito turnê tocando ela por um tempo antes da gravação. Não compare seu começo com o meio de outro alguém. O artista que gravou a música que você está estudando, também já passou por isso e hoje toca e canta fluentemente pois algum dia teve a paciência e não se deixou abalar pelos desafios. Neste momento, o processo é o mais importantes, os resultados virão aos poucos.
Se tiver dúvidas sobre esta postagem, ou se quiser umas idéias de que músicas escolher para estudar, mande-me um email:
originalmente publicado em 26/09/2017
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